Xilo… o quê?

O terror das coleções bibliográficas e documentais principalmente em papel, os insetos xilófagos são aqueles que tem como base de sua alimentação a celulose, cupins e brocas são os vilões dessa história. Esses são dois grandes agentes de deterioração de acervos e devem ser combatidos.

Sabe aquele “siriri” ou “aleluia” revoando as lâmpadas de sua casa no início da primavera até o fim do verão? Nessa época do ano no Brasil temos a revoada dos cupins, onde os cupins alados que são os reprodutores e tem asas, buscam seus parceiros para a reprodução e formação de novas colônias, querem calor, umidade e sua linda biblioteca, prato cheio para o ciclo de reprodução do cupim.

Imagem: Pixabay.com
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Viu um “pozinho” na estante? Observe, pode ser fezes de cupim!

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A infestação é rápida e pode causar sérios danos em coleções tanto institucionais como privadas, todos estamos susceptíveis a uma infestação por cupim. 

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Os cupins são os mais conhecidos, afinal, os vemos todos os anos, mas também temos as brocas, que se alimentam de celulose e causam danos às coleções documentais. Quando adultas são pequenos besouros de 2 a 3 mm, castanho – avermelhadas a castanho – escuro, as larvas são brancas de cabeça castanha, fazem o maior estrago, pois fazem galerias circulares e espirais irregulares no papel comprimido, até rendilhá-las, impossibilitando a leitura do texto.

Imagem: Acervo Pessoal da Autora
Imagem: M. O'Donnell and A. Cline, Wood Boring Beetle Families, USDA APHIS ITP, Bugwood.org

Agora que você já sabe quem são e como são os vilões, como tratar?

O nome é Prevenção! Como já diziam nossas avós e mães: “melhor prevenir do que remediar”, e aqui essa frase deve ser aplicada.

Cinco possíveis estágios de controle de riscos:

Evite: a causa do risco ou qualquer coisa que o exacerbe. Esta é a ação mais lógica e mais eficaz (quando possível), como?

 

– Verifique as coleções regularmente à procura de sinais de pragas;

– Deixe os livros (e salas onde são armazenados) sempre limpos;

– Não deixar livros em áreas úmidas;

– Sempre que possível opte por estantes de metal com pintura epóxi;

– Controle temperatura e umidade.

 

Bloqueie: os agentes de deterioração. Caso não seja possível evitar a ameaça, a próxima ação mais lógica é interpor uma barreira protetora eficaz, em algum lugar entre o acervo e a fonte do agente;

Detecte: os agentes de deterioração e seus efeitos no acervo, de olho neles:

–  É importante monitorar os diferentes agentes para podermos reagir rapidamente caso eles ameacem de forma iminente ou comecem a danificar o acervo;

 

Responder ao agente: Este estágio inclui todo o planejamento e preparação para permitir uma resposta rápida e eficiente por parte do museu sempre que for necessário, o que fazer?

– Contrate periodicamente serviço especializado de dedetização (para instituições);

 

Recupere o dano causado pelo agente:  Se todas as outras ações falharem, a única opção que nos resta é tentar recuperar os itens do acervo afetados pelos agentes de deterioração. Contrate um profissional!!! Ninguém quer virar meme na internet.

 

Agora pode falar que já sabe o que são insetos xilófagos, para saber mais o ICR Pachamama sempre tem ótimos cursos, fique atento!


Referências

CALLOL, Milagros Vaillant. Biodeterioração do patrimônio histórico documental: Alternativas para eliminação e controle. Rio de Janeiro: MAST/FCRB, 2013. Disponível em: http://www.mast.br/images/pdf/publicacoes_do_mast/livro_millagros_portugues.pdf.  Acesso em 03 mar. 2022.

CASSARES, Norma Cianflone. Como Fazer Conservação Preventiva em Arquivos e Bibliotecas. São Paulo: Arquivo do Estado e Imprensa Oficial, 2000. Disponível em: https://www.arqsp.org.br/arquivos/oficinas_colecao_como_fazer/cf5.pdf. Acesso em: 03 mar. 2022.

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